Carlos Roberto -  CRS Palestrante

A vida,  os sentimentos e impressões em prosa e verso

Textos


Aprendi um ditado que diz que não se deve gastar vela com mau defunto. A contrariedade dos esquerdopatas em relação à aceitação de moro para ser ministro da justiça  nem deveria merecer tanta relevância, todavia, não é demais pontuar, para  esclarecer aos menos versados o que esse pessoal quer dizer com suas insinuações.

Moro é um juiz de carreira, foi aprovado em concurso público, e,  a história lhe reservou uma página onde a coragem e a determinação de enfrentar os poderosos, gerou o interesse midiático  no mundo inteiro. São vários os prêmios que ele recebeu e inúmeros os encontros nos quais participou, muitas vezes, sendo insultado por suas posições.

Ele jamais perdeu a sua isenção e sua imparcialidade. 
Condenou pessoas do PT e de outras siglas partidárias, absolveu réus petistas. Sempre foi cirúrgico em suas ações, inclusive, mais brando que os colegiados encarregados de rever suas decisões em grau recursal.

A condenação que rendeu a prisão ao ex presidente Lula, foi agravada, ou seja, foi aumentada pelo Tribunal.
A imparcialidade dele nunca foi questionada de forma idônea por quem quer que seja, e nem poderia, pois calcada na lei e nas provas.    Nem sempre ele acertou no iter processual, mas frise-se, nenhuma decisão dele esteve à salvo de recurso pela defesa ou pelo Ministério Público Federal e aquilo que deveria ser mudado, foi mudado, porém, em termos fáticos, suas decisões tiveram um grau respeitável de acolhimento. 

Sérgio Moro cumpriu um papel importantíssimo até aqui e a população o aclamou e o concitou para que ele entrasse na política. Foi nesse contexto que ele disse que nunca entraria na política, ou seja, jamais iria abandonar a magistratura para aventurar-se a um cargo eletivo.  Obviamente, pensava ele naquele momento, na sua carreira e na estabilidade advinda da vitaliciedade.   Lula mostrou-se totalmente avesso à estabilidade dos concursados e chegou a comparar os servidores estatutários com o político ladrão. Disse o ex-presidente que por mais ladrão que ele seja,  de quatro em quatro anos tem que ir para as ruas  pedir votos,  enquanto que os concursados estão garantidos para a vida inteira.  

Bem, para os versados no direito, a fala de Moro de que jamais entraria para a política, não faz coisa julgada, não faz precluir o seu direito de rever suas próprias ideias e avaliar um convite que lhe foi formulado pelo candidato recém-eleito Jair Bolsonaro.  Sair do Judiciário, não significa entrar na política.  Ele terá a tarefa de afinar e organizar a atuação das instituições ligadas ao Ministério da Justiça e, já assegurada a ele, a possibilidade de ser nomeado para o Supremo Tribunal Federal.  

Achei perfeito o convite. A aceitação não deveria, na minha modesta forma de entender, causar tanto azedume de algumas figuras a não ser pelo presságio de tempos mais difíceis para quem apodreceu no esquema de corrupção sistêmica que se instalou no país.

Ninguém pode censurar um motorista que, passando pela Marginal do Tietê, deixa o conforto de seu veículo e mergulha nas águas fétidas do rio para salvar alguém que está se afogando.  Insinuar que a atuação de moro tenha se pautado pelo prejuízo a um partido  e aos seus seguidores para favorecer a vitória de Bolsonaro é, no mínimo, algo risível e desprovido de lógica.

Em suma, os cidadãos de bem devem cumprimentar o ilustre magistrado e desejar a ele que continue com a mesma seriedade com que encarou sua missão até agora.

 
Carlos Souza
Enviado por Carlos Souza em 01/11/2018
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