Carlos Roberto -  CRS Palestrante

A vida,  os sentimentos e impressões em prosa e verso

Textos

 
A vida não é uma colônia de férias. 

Todos, indistintamente, passam por adversidades, por momentos maravilhosos e que vão da extrema alegria ao profundo desânimo, assim, quem só espera um caminho florido em sua existência sempre acabará se frustrando.

Hoje, depois de 64 anos bem vividos, olho para o passado e percebo que o saldo é positivo, pois mesmo açoitado pelos vendavais, meu barco continua firme enfrentando as tempestades da vida.

Quantas perdas familiares: minha irmã Roseli, meus avós, meu pai, minha mãe, meu querido neto Leonardo, que se foi recentemente deixando uma lacuna tão grande e uma dor lancinante provocada pela saudade.  Não se trata de classificar em perdas maiores ou menores, mas certamente que a inversão do ciclo natural da vida, a perda de um neto com apenas 15 anos é algo que nenhum avô espera.  Mas como bom cristão, não posso me esquecer de que tudo tem a aquiescência da vontade divina.  A oração do Pai Nosso tem a frase: Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu...

Como ser feliz quando seu coração foi rasgado pelo azorrague da morte de um ente querido, quando alguém que você ama está sofrendo com uma doença terminal? É difícil responder a essa pergunta, principalmente quando as pessoas conceituam a felicidade como ausência de problemas. Essa felicidade não existe, é mera utopia.

Um erro é tentar prosseguir na estrada da vida olhando para trás e ficar preso ao passado.  Temos que olhar para a frente e buscar forças na superação que nos trouxe até aqui. Respeito quem não acredita em Deus, todavia, não tenho dúvidas de que sem a ajuda divina, jamais teria chegado até aqui.
Me recordo de meus primeiros anos de vida, vivendo numa família modesta, tomando café com farinha, pés descalços correndo pelas ruas e um futuro duvidoso pela frente. Pessoalmente, não via perspectiva melhor, porém, situações que pareciam conspirar contra o meu bem foram se transformando em bênçãos.
Aos poucos fui percebendo que precisava me esforçar e que poderia alçar voos mais altos de que o voo de uma galinha. Pude constituir uma família, pude cursar o ginasial, o colegial técnico (contabilidade), curso de direito, especialização em direito empresarial, pós-graduação em direito público.  Tenho a alegria de ter três filhos maravilhosos, fui aprovado em dois concursos públicos (Delegado de Polícia e Juiz de Direito em São Paulo).

Para quem andava a pé e nem uma bicicleta possuía, posso andar num carro próprio, viajar de avião que era algo improvável para aquela ingênua criança.  Ser feliz não é status, ser feliz não é ter bens, ser feliz é ser grato pelo fato de existir e poder superar dificuldades e ajudar o próximo a viver melhor.

A ansiedade, o medo, a dúvida, são inimigos do nosso bem-estar.  Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance e pedir ao Eterno que faça o que é impossível para nós. Creio que muitas pessoas estão claudicando, estão desanimadas por uma doença em si ou em algum familiar. Outras estão desempregadas, frustradas pelo término de um relacionamento, enfim, inúmeras razões, todavia, não devem olhar para as circunstâncias, mas sim, para o alvo e sua determinação o levará até ele.

No filme “Procurando Nemo” Dory procura um peixinho desanimado e dá uma injeção de ânimo nele dizendo: É preciso continuar a nadar... Levante a cabeça e continue a nadar não olhe para o que você perdeu, veja o que você ainda conserva consigo.
 

 
Carlos Souza
Enviado por Carlos Souza em 24/01/2017
Alterado em 24/01/2017
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